Diretrizes do PT expõem tensão com aliados e redesenham disputa pelo governo de Pernambuco

 

Não basta demonstrar simpatia ou agradecer ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o Partido dos Trabalhadores, é necessário alinhamento explícito com o projeto de país que defende a soberania nacional e o Estado Democrático de Direito, além da declaração pública de apoio eleitoral.

Esse entendimento não se restringe apenas a quem lidera a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. A orientação do partido é de que toda a chapa esteja alinhada, incluindo os candidatos a vice-governador e à segunda vaga ao Senado. A primeira vaga, segundo a estratégia petista, está reservada ao senador Humberto Costa, cuja reeleição será prioridade do PT em Pernambuco.

Deputados da legenda já foram informados de que, conforme a legislação eleitoral, poderão defender apenas uma chapa. Nos bastidores, as conversas indicam que, em eventual visita a Pernambuco, o presidente Lula deve participar de um único palanque no estado.

A definição, no entanto, será tomada em âmbito nacional. As diretrizes foram estabelecidas durante a primeira reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), realizada antes da formalização dos apoios do partido.

Embora o presidente estadual do PT, deputado Carlos Veras, afirme que não há julgamentos individuais, as orientações sinalizam recados claros a diferentes atores políticos. Entre eles, a governadora Raquel Lyra (PSD), que em 2022 não declarou voto para presidente; o deputado João Paulo (PT), que tem defendido a reeleição da gestora antes da posição oficial do partido; e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

No caso de João Campos, o PT observa a composição de sua possível chapa ao Senado, que inclui nomes alinhados ao presidente Lula, como o ministro Silvio Costa Filho e a ex-deputada Marília Arraes, além do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, visto como um quadro competitivo, embora não identificado pelo partido como um bolsonarista de raiz.

A legenda também avalia o cenário da vice-governadoria, espaço que os petistas não ocuparam na reeleição do prefeito do Recife em 2024. Atualmente, porém, a maior parte das decisões eleitorais de João Campos tem sido tratada diretamente com o presidente Lula.

O PT considera que deu um passo importante, ainda que inicial. O processo, segundo dirigentes, será marcado por novas rodadas de diálogo, tanto com a base estadual quanto com a direção nacional do partido.

 

 

 

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