Conselho do Campinense Clube afasta presidente e diretor financeiro após denúncias de irregularidades administrativas

O Conselho Deliberativo do Campinense Clube aprovou, por unanimidade, o afastamento preventivo e temporário do presidente do Conselho Diretor, Flávio Gaudêncio Torreão, e do diretor de Administração e Finanças, Wellington Monteiro da Silva. A decisão foi tomada durante sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (21), com a participação de 24 conselheiros.
A medida cautelar passa a valer imediatamente e segue até o dia 1º de julho de 2026, data em que o colegiado voltará a se reunir para decidir pela destituição definitiva dos dirigentes ou pelo retorno deles às funções. Durante o período, a presidência do clube será ocupada interinamente pelo vice-presidente.
Segundo o Conselho Deliberativo, o afastamento não representa perda definitiva dos cargos. Os dirigentes permanecem vinculados às funções até a conclusão do processo interno e terão prazo até 20 de junho para apresentar defesa formal por escrito. A apuração ficará sob responsabilidade do relator designado, conselheiro Francisco Neto.
A decisão é resultado de um processo de investigação iniciado nas reuniões dos dias 20 e 27 de abril e 12 de maio deste ano, além de quatro ofícios encaminhados oficialmente em 13 de maio. Entre os principais pontos apurados está a inadimplência salarial de funcionários fixos do clube. De acordo com o Conselho, existem três folhas salariais em atraso, incluindo casos de trabalhadores sem receber há quatro meses, mesmo após o recebimento de R$ 82 mil oriundos de patrocínio e da Timemania.
O documento também aponta a omissão de informações relacionadas a uma confissão de dívida no valor de 43.157,88 euros, firmada em março de 2026 com um escritório de advocacia e que, segundo os conselheiros, não teria sido comunicada pelo presidente durante reunião realizada em 27 de abril.
Outro ponto destacado foi o não envio de um relatório financeiro prometido ao Conselho Deliberativo. Conforme o texto, Flávio Torreão havia se comprometido a encaminhar, em até dez dias, o balanço financeiro referente ao período entre setembro de 2025 e abril de 2026. O prazo terminou em 8 de maio sem a entrega da documentação.
O Conselho afirma ainda que três dos quatro ofícios enviados não receberam resposta. A única manifestação encaminhada pelos dirigentes teria solicitado mais 30 dias de prazo, sem apresentar esclarecimentos sobre os fatos questionados.
Também foram relatadas supostas irregularidades patrimoniais envolvendo o diretor de Administração e Finanças. Conforme a apuração interna, Wellington Monteiro teria retirado uma máquina de gelo pertencente ao clube e estaria de posse de 28 bolas oficiais fornecidas pela Federação Paraibana de Futebol.
Outro episódio citado foi a suposta obstrução administrativa envolvendo o recebimento de documentos do Conselho Deliberativo. Segundo o comunicado, Flávio Torreão teria determinado que a secretaria do clube não recebesse expedientes do Conselho sem autorização prévia da presidência do Conselho Diretor.
O Conselho Deliberativo estabeleceu um cronograma para os próximos passos da investigação. Em até 48 horas, os dirigentes afastados deverão entregar documentos, acessos institucionais e bens pertencentes ao clube. Até 20 de junho, a defesa formal deverá ser apresentada. Já o relatório conclusivo do relator Francisco Neto será distribuído aos conselheiros antes da sessão marcada para 1º de julho, quando haverá deliberação final sobre o caso.
Em nota, o Conselho Deliberativo reforçou o compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos interesses do clube e da torcida rubro-negra.
Paraíba Debate
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